Fascinação Obsessiva

Fascinação Obsessiva

O narcisismo é desvio de comportamento que perturba o ser humano colhido pelos conflitos que não consegue diluir. Também pode ser resultado de alguma frustração que leva o paciente ao retorno ao período infantil.

Auto-apaixonando-se, o narcisista se atribui valores e direitos que a outrem não concede, tornando-se o epicentro dos próprios e dos interesses gerais.

À medida que se lhe agrava o distúrbio, aliena-se do convício social saudável, acreditando que não tem muito a lucrar com a atenção e os cuidados que poderia direcionar às outras pessoas.

Esse comportamento, às vezes, é sutil, agravando-se na razão que se lhe fixam no imo a presunção, a ausência de autocrítica, embora a severidade com que analise a conduta alheia, utilizando-se de palavras ásperas e julgamento severo como transferência daquilo de que inconscientemente se faz merecedor.

Ao tomar essa atitude, libera a consciência de culpa e mais se enclausura na torre de marfim da prosápia em que se movimenta.

Essa insegurança psicológica, que se converte em auto-afirmação exibicionista, conspira contra a saúde mental do ser.

Em razão dessa deficiência emocional, quando portador de mediunidade atrai Espíritos zombeteiros que o inspiram, comprazendo-se os mesmos em levar ao ridículo aquele com quem sintonizam, sem que a vítima se dê conta da gravidade da patologia obsessiva em que tomba.

Não se apercebendo de parasitose que se lhe instala, passa a acreditar quase que exclusivamente nas comunicações de que se faz instrumento, competindo com qualquer outro que aparentemente, lhe ameace a projeção.

Mantém boa moral, é conservador e exigente na conduta, porém a tomada na qual se encaixa o plugue obsessivo encontra-se no egoísmo e no temperamento especial, que lhe constituem os grandes desafios a vencer durante a conjuntura reencarnacionista.

Na ordem direta que se destaca, ensoberbece-se mais, deixando de considerar as advertências que lhe chegam, por supor-se inatacável, distanciado de humildade que impõe a auto-reflexão, responsável doutrinariamente pela proposta de tomar para se as comunicações dos Espíritos antes que para os outros.

Imbuído da idéia de que é irreprochável o seu comportamento, passa a supor-se merecedor do contato com os Espíritos nobres e não analisa as comunicações que lhes são atribuídas, cujo conteúdo não vai além do trivial, do destituído de profundidade. São, invariavelmente, repetitivas, exaradas em chavões convencionais, às vezes pomposos, mas irrelevantes.

A obsessão por fascinação é um capítulo muito perturbador do exercício mediúnico.

Toda a trilha da vivência mediúnica é inçada de cardos e de perigos, impondo um trânsito cuidados, porque se trata de intercâmbio constante com seres inteligentes, que também se domiciliam na Terra, continuando a manter as virtudes e os vícios que lhes eram freqüentes.

Vigilantes e contumazes, os ociosos e perversos rondam os médiuns com implacável insistência, aguardando oportunidade para os afligir, para interditar-lhes as mensagens, para entorpecer-lhes a faculdade...

A obsessão, em si mesma, é terrível flagelo que se manifesta epidêmico com periodicidade, mas que nunca esteve fora da convivência humana.

Em torno da mediunidade, particularmente, se movimentam, os Espíritos infelizes, quais mariposas em volta da chama.

Aqueles que são elevados, sintonizam a distância, quando as circunstâncias o propiciam, enquanto que os desocupados, permanecem com afã esperando fluir benefícios mórbidos como a absorção de energias do médium, a intromissão nas atividades humanas, gerando a perturbação em que se comprazem.

A terapia para a recuperação desse tormento se inicia na vigilância do médium, vivenciando a humildade real e tendo a coragem de bloquear a interromper a interferência nefasta, cuidando de livrar-se do seu maneirismo, descendo do pódio da superioridade que se credita para a planície das criaturas comuns e frágeis onde se de situar.

Nenhum médium se encontra indene a esse transtorno obsessivo, e ele é muito mais habitual e constante do que se pode imaginar.

Multiplicam-se na sociedade humana as pessoas autofascinadas, e entre os médiuns, muitos são aqueles que se apresentam com a ultrajante síndrome da obsessão por fascinação.

O Senhor dos Espíritos, sempre que libertava os obsessos, repreendia os seus algozes, admoestando-os e, ao mesmo tempo, lecionando às suas vítimas que Lhe seguissem as diretrizes, amando e servindo.

Ante obsessos de qualquer matiz, são necessários a paciência e a misericórdia, o esclarecimento e a perseverança, a fim de que tenham tempo para despertar e romper os elos que os aprisionam aos seres perturbadores.

Manoel P. de Miranda

(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, em 19/07/1999, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia)